domingo, 10 de janeiro de 2010

Nomes Próprios

No princípio era o verbo e nomes para as pessoas. Havia as Saras, as Marias, as Ruths e alguma Ester. Os homens eram Pedros, Paulos, Marcos, Cíceros, Beneditos, Osórios e Otávios.
Um dia, num remoto verão, que é quando sempre nasceram as modas, uma certa Maria teve uma filha. O pai, José, achou por bem que a menina juntasse, através do nome, a força daquelas duas almas que, tão unidas, trabalhavam a árida terra do sertão do Piauí. Assim foi batizada Maria José e a vizinhança adorou a novidade. Na tapera vizinha nasceu José Maria, filho de outro bravo casal, que não entendendo ainda a brincadeira, resolveu usar os nomes dos iniciadores da moda.
Longe dali, por associação de idéias levadas pelo vento, um jovem casal registrou Ivanilda, filha de Ivan e Cacilda. No dia seguinte nascia Leonilton, filho de Leonor com Nilton, que aliás tiveram mais cinco filhos. Criaram Mariltina (Maria era o nome da mãe de Leonor e Niltina seria um final feminino para os derivados de Nilton); Octacilda (Octávio que era o avô paterno e Cacilda a vizinha que fazia a cabeça de Nilton); Marinalva(em homenagem a duas bisavós Maria e Dalva, com um N para dar sonoridade); Gilbernilton (homenageando um tal de Gilberto que apareceu por aquelas terras). Fecharam a produção, pois Cacilda não suportou as agruras da vida no semiárido e fugiu com um boliviano de nome Pancho. Teve filho na Bolívia e batizou-o de Panchildo.
Nilton casou-se novamente, para se livrar da dor de cotovelo. Sua esposa Isadora, foi escolhida por ter um nome promissor, coisa muito apreciada por aquelas bandas. Logo estavam correndo atrás de ratões do mato os pequenos Isanilton, o Dorilton e o Lailton (Laís era irmã de Isadora e provavelmente fazia um por fora com o cunhado).
As gerações foram se sucedendo e a moda de misturar nomes avançou como a desertificação das terras do Nordeste. Mas creiam, todos os Joseniltons, os Dorilivsons, as Erilândias (juro que tive uma aluna com este nome), os Robervais, as Marilcélias, têm alguma coisa que os liga àqueles pioneiros da criatividade brasileira, sempre à frente dos outros países do mundo.

3 comentários:

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Meu pai jurava que, quando trabalhava na rádio, tinha se correspondido com o tal do Umdoistres de Oliveira Quatro...
BJS!

Cynthia disse...

Esse costume tb tem no norte do país.
Meu pai que era paraense, queria mostrar o seu grande amor pelo primeiro filho; criança inocente, pois nada tinha lhe feito de mal,ainda, pq nem nascido tinha. Não havia nem lhe tirado o sono ou golfado em seu terno limpinho, dando o nome ao garoto de Luciel. Junção de Lucélio com Jael.
Minha mãe, carioca da gema (graças aos céus), colocou o nome do meu irmão de Ricardo.
Digo, graças aos céus, pq meu pai poderia continuar empolgado e ter colocado o meu nome de Jaluci.
Puxa, Teresa, vc conseguiu fazer com que eu gostasse do meu nome...OBRIGADAAA!!! : )

Ana Maria disse...

Aqui veio uma moça de nome Ivanilda nos ajudar, na época de mamãe e papai. E os nomes dos jogadores?? Ai! Ai! Não é mole não.Certa vez em uma viagem, a Baby Consuelo estava meio que chateada porque uma das filhas trocou o nome - e não era para menos! O raio do nome parecia com um órgão genital! Imagina a garota na escola na hora da chamada! Beijos e que Deus ajude a quem está nascendo agora!! Luz e discernimento para os pais na hora de dar o nome!!