segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A gente podia sair...


Quando a gente fica muito tempo sem namorar, pode refletir muito e chagar a interessantes conclusões.Ou não conclui nada, mas pensa.
Digo muito tempo meeeeesmo! Tempo suficiente pra gente acreditar que realmente aquela inimiga mortal colocou nosso nome na boca do sapo e tem uma entidade hipertrevosa embarreirando todos os supostos interessados. Esse é o meu caso. Não rola nada. Nenhuma gota d’água debaixo da ponte. Mas um dia tudo muda.
Então, como ia dizendo, a gente pensa e descobre como é trabalhoso esse negócio de paquerar. Será que ainda se usa essa palavra? Provavelmente não se usa mais. Mas eu sou antiga mesmo. Antiga como paquera, uma brasa mora, andar pra frente, essas coisas. Sou do tempo do onça, sou jurássica, mas ainda tenho direito de habitar este planeta e dar umas namoradinhas, de vez em quando.
Conheceu o rapaz (ainda se diz rapaz ou as novas regras ortográficas aboliram este substantivo? Vai ver que se fala “gajo”, quem nem em Portugal e em Macau) e, depois de muito trabalho pra mostrar que, apesar de ter mais de 35 anos (muito mais, mas não importa, não estou mentindo)ainda posso dar um excelente caldo, a gente combina de sair, pra se conhecer melhor, pra passear, pra sei lá mais o quê. Banho, espelho, armário, cabide, espelho, armário, cabide, espelho, armário, cabide... Talvez seja melhor desmarcar e deixar pra outro dia, depois de uma dieta radical de água, alface, metamucil , actívia e chá branco. Acho que uma semana dá pra perder alguma coisa. É. Dá pra perder o cara, lógico.
Razão: que besteira. O cara é homem, não vai ficar reparando nesses detalhes. Você tem coisas muito melhores pra mostrar, investe no papo, mostra sua alma boa, seja terna e gentil. Um relacionamento não se faz com corpos sarados...
Emoção: quem mandou relaxar, parar com as caminhadas, comer chocolates e pão? Agora tá essa baranga aí! Vai que rola alguma coisa!! Pelo menos devia ter feito depilação. Já reparou que ninguém mais tem pelos pubianos? Estão todos como índios? Em cada esquina uma Pello Menos, Depil Out, Pelo Sim Pelo Não, mandando os pelos (até dos braços, sério! Eles depilam até o ânus!!) pra P&%$## que pariu. Não se aceita mais alguém ter pelos. Nos filmes de sacanagem que passam na TV, a gente vê isso, além dos colos uterinos e das trompas de falópio, claro. Claro que os caras ficam influenciados e passam a adotar esse modelo.
Bom, não vai também pensar nisso no primeiro encontro, né? Sair, conversar...no máximo uns beijos na boca e uns amassos.
Huahuahuahuahua!!!!Na nossa idade, sem chance. É pegar ou largar.
Depois de todas as possíveis roupas jogadas na cama, chego à conclusão de que o melhor é a calça jeans com uma blusa soltinha, a mesma que eu já usei no trabalho, mas dá uma incrementada com uns brincos maneiros, passa batom, sombra, rímel...atchim!!! rímel me dá alergia, às vezes.
Pronta. É só sair.
- Alô?
_ blá blá blá...
-Poxa, claro. Eu entendo. Não tem nada. A gente combina outro dia. Puxa. Cuida da sua mãe. Gripe é um saco mesmo. Dá um chá de limão com alho pra ela. Depois a gente se fala.
Pronto. Ele desistiu. Deve ter percebido todo o meu drama. Deve ser médium. Tem muito médium hoje em dia. Gripe...desculpa mais esfarrapada!!!! Melhor do que sair e depois me deixar na porta de casa com dois beijinhos e um “a gente se vê”. Pior ainda: “Se cuida!”
Me cuidar é o K#@¨%$#@cete!!! Só porque eu não sou índia?
Melhor assim. Vou sentar na cama, ler meus emails e meus livros. Depois vou dormir que amanhã tenho que acordar cedo.
Boa noite.

8 comentários:

Lilian disse...

Amei!!! É isso mesmo !!! Mas tudo muda na hora certa, aquela hora que chega quando a gente menos espera. Beijos. Saudade!!!

milimis disse...

Legal Teca! só penso uma coisa...tempo, não quer dizer nada, só uma questão talvez de "localização espacial"..rsrsrsrs, porém, quando o interruptor é acionado por um alguém, as vezes, nem tão necessariamente apaixonado, uma luz se acende e nem parece que 'passou tanto "tempo" assim.
Adorei o texto,
Bjks, Eli

Everson Dias disse...

Teca,
Houve um tempo, em que andei meio fechado prá balanço, e cheguei a pensar a mesma coisa. Mas acho que no fundo, o grau de exigência é que cresce. A gente acaba sempre comparando a próxima, com aquela que a gente gostou muito e que acabou sem mais nem porque.
Como diria a ministra: relaxa e goza!
Bjs

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Tô procurando as banalidades até agora; não as publique, não. Nada contra banalidades; se o escritor é bom, até elas ficam ótimas.
Até frivolidade dá (às vezes) o braço à inteligência, e fica bacana.
Mas é que do jeitinho que seu BLOG está, com os assuntos e a sensibilidade assumida, 'tá indo muito bem! No máximo você vai ter que mudar o nome...RSRSRSRS...
PARABÉNS! BEIJOS!

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

OOPS! Assumidos!

Luciano Gonçalves dos Santos disse...

O tom de auto-sarcasmo-literário está genial. Continua. Agora, aquele negócio do "interruptor é acionado por alguém..." me remete à sacanagem. Não é que se parecem?
abs

Tomas disse...

moral da história, laranjas engonrdam!

Cynthia disse...

Eu não sei se vou escrever besteira, pois estou casada há muito tempo com a mesma pessoa e satisfeita com isso. Logo, estou um pouco,ou muito, por fora do que é ter que conhecer alguém legal nos dias de hoje.
O que eu escuto na fala das mulheres é que elas sempre escutam: "se cuida, até um dia, depois eu ligo";e o telefone nunca toca.
Será que nunca é a mulher que diz: "não,esse eu não quero"?
Acho que o problema está na ansiedade que a mulher carrega junto consigo para esses encontros.
Enquanto os homens saem para conhecer mais uma, a mulher vai querendo conhecer o príncipe encantado.
Ao meu ver, ninguém precisa se raspar, ou ter um papo tão cabeça.
Homens e mulheres querem conhecer gente divertida, gente que os ajude a esquecer o dia-a-dia tão exaustivo. Conhecer gente pra conversar;sem que haja o compromisso do dia seguinte. Isto vai rolar naturalmente, se for o caso.
Caso não seja, a fila anda.
O importante é não ficar se sentindo culpada. Não deu certo por que, se o papo foi tão legal?
Ora, sabe se lá porquê?...Dane-se o motivo.
O importante é não parar de tentar e ficar em casa esperando a chegada dos netinhos...Cruzes!!!
eu ainda acho que batom é o melhor remédio...rs.
beijos.