segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mulheres poderosas

Leia a piada atentamente:
No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia:
- A senhora tem seis horas de vida.
Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo para o marido. Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela fazendo sexo.
Fazem uma vez, ela pede para repetirem. Fazem de novo, ela pede mais.
Depois da terceira vez, ela quer de novo.
E o marido:
- Ah, não, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã... você não!
Esta piada apresenta uma porção de erros. Relacione-os.
Poderia começar assim uma prova de vestibular para mulheres em busca da felicidade conjugal. Um curso ainda não regulamentado pelo MEC, mas com um potencial imenso de alunas interessadas. Poderia também aceitar homens que quisessem aprender a se dar bem com as novas mulheres que seriam diplomadas nessa utópica faculdade.
Eu fui a uma livraria para o lançamento do livro de uns amigos e acabei comprando um outro. Estava escrito na capa: “Por que os homens amam as mulheres poderosas?” . Estava escrito e ainda continua, bem aqui na minha frente.
Comprei o livro imaginando que daria umas boas risadas e arranjaria com ele material para escrever alguma coisa. Mas, oh! Ingênua! O livro foi escrito para mim. Essa autora me conhece, só pode. Deve ser uma terapeuta que eu tive, ou algum amigo íntimo.
Não, amigos, eu não sou a poderosa. Eu sou o oposto. Segundo o que está escrito, eu sou exatamente a mulher que os homens não amam. Eu sou a boazinha. Faz sentido. Tudo faz muito sentido.
Mas fiquei aqui refletindo sobre a quantidade de receitas que estão disponibilizadas hoje em dia, em livros, palestras, programas de TV etc. E descobri, horrorizada, que, por achar que todos têm razão, menos eu, descobri, como dizia, que perdi totalmente a espontaneidade para tratar com os homens, esses pobres vítimas (é assim mesmo a concordância, por favor, que vítima é um substantivo masculino para mim) da minha já arqueológica insegurança.
Agora, cada vez que um dos vítimas me liga eu quase fico muda. Primeiro tenho que pensar se devo ou não atender à chamada. Tem uma regra, segundo a autora. Parece que nunca se deve atender sempre. IH! Estar sempre de prontidão dá sensação de que a caça já está pendurada na parede e depois que a mulher vira troféu, já era. Então não atenda e acredite que ele tornará a ligar.
Quando finalmente você tiver deixado ele ligar muitas vezes e achar que é a hora de atendê-lo(por dentro morrendo de ódio da regra, porque está doida pra ouvir a voz do pobre infeliz; fica ouvindo dez vezes seguidas a mensagem que ele deixou na secretária), pense bem antes de dizer qualquer coisa, não aceite se encontrar com ele, diga que anda ocupadíssima, que vai procurar na sua agenda um tempo livre, não fale em saudades nem em sentimentos. Seja blasé.
Juro! Está lá no livro. Ou seja, minha amiga, esqueça todos os seus comportamentos passados e renove seus modos. Não cozinhe para ele, de jeito nenhum! Não use aquela camisola sexy, não dê moleza, não dê, pra falar a verdade, nada! Só depois de muita luta ele pode ter o prazer de te levar pra cama. E depois elogie, mostre que ele é o macho, que você está feliz, mas mande-o embora, antes que ele diga que tem que ir.
É uma verdadeira ciência e acho que nem na pós-graduação eu poderia entender todos os detalhes. Tem que ser ligeiramente ousada, despertar a libido dele, mas não ser oferecida, não falar abertamente.
Isso é só um canapezinho, o livro tem muito mais. Percebam como, no fundo, a mulher é sempre a parte que precisa se esforçar mais. Ser o que não é, falar o que não pensa, fingir que não sente e não se importa e, ao mesmo tempo ser autêntica, sem nunca parecer que está querendo impressionar. Impossível.
Devia ter seguido os conselhos do meu pai e ter entrado para um convento. Ser monja beneditina seria muito mais prático. Estaria a essa hora preparando pães para as minhas irmãzinhas, vestindo um longo e folgado hábito marrom, sem nenhuma preocupação maior.
Pensando bem, será que elas ainda me aceitam?

6 comentários:

Sophia disse...

AMEI! muuuito bom!

cecilia disse...

hahahahaha!!!Ai Teca...adorei!!Estou aqui rindo muito!!!Já estou me vendo indo no lançamento do seu livro...

Lilian disse...

Adorei os 2 textos mas o 2º é, simplesmente, o máximo! Você precisa escrever seu livro sobre comportamento humano, tenho certeza que vai ser best seller.
Beijo.

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Esses manuais americanóides eu passo longe, mas ler você é um deleite...
Cada vez melhor...Poderosíssima de teclas na mão...
BJS!

terezinha disse...

Achei o texto muito bem escrito e definindo essa situação objetivamente e com um humor envolvente. Parabéns amiga e continue nesse caminho, já estou me vendo linda, batendo palmas e pedindo que autografe um livro só pra mim.

Cynthia disse...

rs...é verdade, nunca vi um livro desses escritos para os homens.
Mas eu ainda acho que as mulheres possuem uma arma poderosíssima...o batom.
Experimente retocá-lo na frente de um "bobo" qualquer...rs.
Caso ele não fique igual a um idiotóide olhando o batom ir e vir, é pq vc não está retocando direito. Abaixe mais o espelho...rs...rs...rs.